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:JUIZ DE FORA/ MG - Júlia Marina (Ma’Lika)::
Local: Rua São Mateus, 890 - Juiz de Fora (Espaço Kaula Yoga)
Telefone: (32) 8454-2337
Contribuição: R$ 10,00
O que pedir para as mulheres levarem: Frutas e Flores para celebrarmos!
Email: malika_yoga@hotmail.com

São encontros sob as energias da LUA NOVA para a expressão feminina de regeneração, seguido de rituais para sintonizar-se com seus hormônios e as energias de renovação da Lua Nova.
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CÍRCULO SAGRADO DE VISÕES FEMININAS é um movimento criado a partir do projeto “Clã dos Ciclos Sagrados” que pretende gerar pontos de mudança, cura e transformação desde cada ventre presente nos círculos.
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CÍRCULO SAGRADO DE VISÕES FEMININAS busca acabar com a dualidade imposta às mulheres, recuperando o sangue e o corpo como arquétipo positivo de identidade e sacralidade feminina.
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CÍRCULO SAGRADO DE VISÕES FEMININAS parte de pontos de vista físico, psico-social e espiritual para desenvolver uma egrégora de fortalecimento feminina, criando espaços de diálogos em cada estado brasileiro, pois cremos que tudo é sagrado e que TOD@S SOMOS UM@!




O Despertar da Śakti Interior


 


Quando minha esposa Māḷikā decidiu empreender este trabalho com o Círculo de Mulheres eu fiquei muito feliz. Ela pediu minha ajuda e apoio e sem exitar me prontifiquei ao ofício, não só porque esta seria uma oportunidade de apresentarmos o nosso trabalho em conjunto, mas principalmente pela responsabilidade que a causa exigia.

Nos dias de hoje está ocorrendo uma emergência espiritual do resgate ao Sagrado Feminino. Muitos são os movimentos que estão na vanguarda desta nova alvorada que, de tão nova, se arrasta pelas noites do tempo. Mesmo solapado durante incontáveis períodos de tempo, este movimento, esta energia, sempre esteve vibrando no interior de cada um de nós.

O que me sensibiliza no trabalho de Māḷikā – e o que o diferencia – é sua capacidade em aplicar as técnicas práticas e filosóficas do Tantra e do Yoga neste processo de resgate do Sagrado Feminino que para ela é o Retorno da Deusa. Neste sentido, é um trabalho de florescimento e refulgência entrelaçados na tapeçaria de toda a vida, pois as práticas tântricas propiciam as condições necessárias para o despertar do poder interior. Em sânscrito, este poder é chamado de Śakti. Na tradição tântrica, a Deusa ou a força cósmica feminina é adorada como Śakti, enquanto o Deus ou a força cósmica masculina é adorada como Śiva (o auspicioso). Śakti é o poder de Śiva. É um poder nascido da passividade extática de Śiva, do silêncio da mente, uma vibrante (Spanda) energia que emerge do Vazio como a vida que emerge do útero. Um poder que dá vida a todas as criaturas – seja lá qual o nível de manifestação em que se encontram – a partir de dentro, internamente. Portanto, Śakti não é apenas um poder externo, mas Svaśakti, o nosso próprio poder interno. Māḷikā nos ensina que para reverenciarmos a Śakti devemos reverenciar o nosso verdadeiro poder interno, o qual reconhecemos como o poder de nossa própria consciência, o ventre que dá nascimento a energia da iluminação.

Nas tradições Śākta, o princípio causal ou matriz universal é denominado Mahā-Śakti e como quintessência única e soberana, manifesta a Si mesma tanto como o aspecto estático em seu modo transcendente quanto como o aspecto dinâmico e criador em seu aspecto imanente. Para os Śāktas, Mahā-Śakti é Śrī-Mā, a Mãe que concebe, dá a luz e nutre o Cosmos que sai de suas entranhas (garbha-yoni) para existência plena.[1]

A grande Mãe, Mahā-Śakti, como a vibração primordial e absoluta, é denominada prāṇa-śakti-kuṇḍalinī porque se faz presente como um núcleo de consciência que revela o verdadeiro Eu em todos os nós. Ela é pura onisciência e sua natureza (svābhāva) é manifestar (sṛṣṭi) a Si mesma como o princípio da vida. A Devīgītā (II: 36) diz: Ela é o princípio da vida entronizada no coração de todos os seres.

Os Śāktas cultuam a feminilidade como um símbolo, e o corpo da mulher como o cálice sagrado que guarda o aspecto feminino do Divino. Este aspecto que coexiste tanto no homem quanto na mulher é prakāśa-vimarśamaya, a kuṇḍalinī, a misteriosa presença divina que, como centro de poder reside no veículo de manifestação psicofísico, vivificando-o como o Eu Real em todos os seres.[2]

Existe um texto tântrico muito bonito chamado Tripurārahaṣya. Nele nós lemos:

Eu sou a inteligência da qual emana o universo e da qual ele é inerente, como um reflexo no espelho. Os ignorantes acreditam que eu sou simplesmente matéria inerte, mas os sábios me vivenciam como o seu verdadeiro Ser. Eles me vislumbram quando suas mentes se tornam tranqüilas e claras como um oceano sem ondas.

Brahma, Viṣṇu e Śiva, os Deuses de todas as direções e suas energias, todas as entidades em todos os planos da existência, são manifestações de mim mesma. O meu poder é vasto demais para ser imaginado. Contudo, os seres não me conhecem porque suas mentes estão amortalhadas na ignorância. Mas este também é meu poder.

A suprema sabedoria é aquela que acaba com a ilusão de que qualquer pessoa ou qualquer coisa exista separada de mim. O fruto desta compreensão é a ausência do medo e o fim do sofrimento. Quando a pessoa compreende que todos os ilimitados universos são apenas uma fração de um átomo na unidade de meu ser; que todas as inumeráveis vidas nestes universos são um fio de vapor em um de meus sopros; que todos os triunfos e tragédias e que o bem e o mal em todos os mundos são meramente meu jogo espontâneo e descompromissado, então a vida e a morte cessam e o drama da vida individual evapora como uma poça rasa em um dia quente.

Você está me vivenciando agora, embora não me reconheça. Não existe nenhum outro remédio para sua ignorância a não ser me adorar como o seu Eu mais profundo. Entregue-se a mim com devoção exclusiva e alegre e eu irei ajudá-lo a descobrir seu verdadeiro Ser. Resida na consciência tão continuamente e tão sem esforço quanto o ignorante reside em seu corpo. Resida em mim como eu resido em você. Saiba que, mesmo agora, não há absolutamente nenhuma diferença entre nós. Compreenda isso agora!

Aquilo que brilha em seu interior como puro Ser (Svaśakti) é sua majestade, a Suprema Imperatriz, a Consciência Absoluta. [...] O universo e todas as criaturas que estão dentro dele são aquela Realidade Última; sim, tudo isso é Ela sozinha.

O fragmento acima demonstra a crença e total devoção dos Śāktas. O Śaktismo (Doutrina do Poder ou Doutrina da Deusa) permeia a crença popular hindu, está presente em muitas escolas e cultos e é o âmago do Tantra.[3] A visão de Māḷikā e portanto o seu trabalho desposa essa doutrina. Contudo, ela não busca simplesmente ensinar sobre a Deusa, mas sim personificá-la plenamente, encarnando o divino em todas as suas atitudes. E estando ao seu lado, inconscientemente, o divino é evocado em nós. Māḷikā é um prisma que refrata inúmeros matizes do divino. Sua vida é a manifestação de Śakti, a energia da Deusa. Em nossa busca ela me ensina que a verdadeira humildade está enraizada na força inabalável do poder divino dentro de nós mesmos e que o desprendimento é uma compreensão profunda das atividades do ego. Para mim, Māḷikā é Kālī Ma, a manifestação da Mãe Divina em minha vida.

Através de seu trabalho, Māḷikā transmite sua experiência interior. Para ela não existe diferença entre a vida e o sādhanā; experiência externa e interna; vida pessoal e vida espiritual. Fruto de sua compreensão acerca do Tantra, isso expandiu a vivência espiritual de sua vida através da arte do ritual e da magia.[4] Māḷikā não molda sua experiência segundo regras preestabelecidas, aplicando técnicas artificiais a sua essência. Ela a possui energia necessára para fazer com que as técnicas funcionem, mas não depende delas.

Em nossa tradição espiritual existe um ditado muito pouco compreendido: No coração, um Śākta, na aparência, um Śaiva, nas congregações, um Vaiṣṇava. Sob todas as aparências os Kaulas perambulam pelo mundo.

Nas congregações, um Vaiṣṇava. Isso significa que em público o adepto une-se as grandes massas de adoradores cantando os divinos nomes de Deus com sincera devoção. As tradições denominadas Vaiṣṇavas correspondem a 70% da população hindu e são constituídas por religiões, cultos e seitas que reverenciam o Absoluto sob o aspecto do Deus Viṣṇu. Na aparência, um Śaiva. Com aqueles que possuem uma compreensão mais sutil acerca da tradição, o adepto – devotado a filosofia Śaiva – lança-se ao estudo e as secretas práticas de Yoga desta escola. As tradições denominadas Śaivas correspondem a 25% da população hindu e são constituídas por religiões, cultos e seitas que reverenciam o Absoluto sob o aspecto do Deus Śiva. No coração, um Śākta. Seja lá qual for a orientação religiosa externa, no âmago de seu ser, o adepto sabe que é filho da Grande Deusa, a Mãe Divina. As tradições denominadas Śāktas correspondem a 2% da população hindu e são constituídas por religiões, cultos e seitas que reverenciam a visão feminina do Absoluto em suas múltiplas manifestações e formas.[5]

Infelizmente, a palavra Śakti – assim como o termo Tantra[6] – é muito mal compreendida no Ocidente. Como o objetivo principal deste trabalho iniciado por Māḷikā é a emergência do Sagrado Feminino ou o Retorno da Deusa, procuraremos examinar, através dos textos postados nesta seção do site, o conceito de Śakti em seu contexto mais amplo como o poder da consciência universal. Iremos explorar a Śakti como a fonte subjacente a todas as forças da natureza, desde as forças físicas como o eletromagnetismo as forças espirituais como a kuṇḍalinī. Portanto, nosso estudo irá abordar o conceito de Śakti sob duas perspectivas fundamentais, i.e. do ponto de vista em sua manifestação natural e do ponto de vista das profundas práticas yogī-s como mantras e meditação. Desta maneira, abordaremos a Śakti que opera no mundo da natureza e nos estados superiores de consciência dentro de nós.

Para que possamos cumprir esta meta, precisaremos abordar inúmeros aspectos da tradição tântrica, desde as elevadas concepções filosóficas do Śaivismo da Caxemira, a romântica e apaixonada visão do acetismo devocional do Śaiva Siddhānta e as concepções tântricas de Śaṅkara. Esta busca no âmago da tradição tem como único objetivo se agregar a visão particular de Māḷikā que é ajudar despertar a Deusa e seus poderes dentro de cada um de nós, energizando a Śakti em nosso Ser mais profundo para a realização de nossa verdadeira natureza.

O trabalho de Māḷikā tem uma característica marcante. Ela sempre se preocupa em demonstrar o caráter interno dos processos yogī-s, como a prática dos mantra-s, meditações, a imersão profunda no auto-descobrimento de si mesmo. Assim, como reflexo desta visão, nesta seção não iremos abordar os Yoga Externo, i.e. a visão popular das práticas de āsana-s, mas o Yoga Interno, através de relatos pessoais acerca do Despertar da Deusa e instruções práticas acerca dos processos tântricos para despertar o yoga-śakti dentro de você, conduzindo-a em sua própria jornada interna a regiões desconhecidas, imprevisíveis, mágicas e sublimes.

Śakti é a descida da Graça Divina. A Mulher possui o Poder e a Potência para criar uma nova vida. Ela possui a energia da beleza, do deleite e da criatividade. Este poder transformativo da Mãe Divina é a Śakti que opera por detrás de todas as grandes mudanças no Universo e traz ao ser humano a grande transformação, a verdadeira iluminação. O propósito do Tantra é energizar a Śakti adormecida dentro de nós, desdobrando todos os diferentes níveis e ritmos de seus movimentos, fazendo com que ela busque naturamente sua morada nativa no Supremo.




Fernando Liguori
Anuttara Kulācārya

Notas

[1] Na linguagem sânscrita, o Absoluto é denominado com diferentes nomes conforme a tradição. No Advaita Vedānta Ele é Brahman Nirguṇa; nas tradições Śaivas Ele é Paramaśiva ou Paraśiva; nas tradições Śāktas o Absoluto é chamado de Mahā-Ādi-Devī ou Mahā-Śakti. Nas tradições Kaula e Trika o Absoluto é chamado de Kula. As exposições filosóficas e teológicas das diversas tradições são genericamente denominadas brahmavidyās, palavra que significa conhecimento do Ser ou conhecimento do Absoluto. Nestas exposições teológicas e filosóficas, a manifestação cósmica é a forma revelada da grande Hierarquia Divina, e contém seres manifestos em diferentes estágios de restrição e onisciência do Absoluto, que embora seja o Ser Uno, se revela como muitos. Assim, o Absoluto – Kula –, como um Ser transcendente, revela a Si mesmo como a essência imanente do Todo (pūrṇa), que surge como a Hierarquia Divina, i.e. o Cosmos, então designado Akula. A Hierarquia é formada por infinitos raios que emergem do Kula, que como centro (biṅdu) de poder, os vivifica, transformando-os em seres transcendentes. Portanto, a Hierarquia é composta de infinitos seres em vários níveis de restrição consciencial, cada um sendo um raio emanado do Kula, a Absoluta Fonte de toda Vida. Alguns seres estão próximos da condição humana, outros muito acima dela, e neste caso, os humanos os vêem como deuses. Entretanto, por detrás das formas (rūpa) percebidas, todos os seres são raios de luz idênticos. O raio maior é considerado o Ser primevo, princípio causal da manifestação divina, fruto quintessencial na transição entre a transcendência e a imanência. Este Ser que é a onisciência dinâmica do Absoluto tem – para os humanos – duas faces, uma masculina e outra feminina que coexistem em perfeita harmonia. Seu veículo de manifestação denominado Karaṇa Śarīra ou corpo causal é prakaśa, seu corpo de luz. Este Ser dual ou Ardhanārīśvara contém os aspectos masculino e feminino, como a forma de onisciência estática (cit), denominada Śiva, e de onisciência dinâmica (cidrūpiṇi), denominada Śakti. A manifestação do Universo ocorre quando Ardhanārīśvara se dissocia nestes dois aspectos, do qual a forma dinâmica é o poder pelo qual Ele é capaz de manifestar-Se, revelando a Grande Hierarquia Cósmica com seus múltiplos espaços de consciência, denominados dimensões ou universos. O aspecto masculino e estático é denominado śava (cadáver) e somente se torna Śiva pela presença dinâmica de sua consorte feminina ou Śakti. Por isso, algumas representações tântricas mostram a Deusa sentada sobre o corpo de Śiva, que jaz como um cadáver sob ela. Por esta mesma razão, a postura sexual mais utilizada nos rituais tântricos é a viparīta-ratī, na qual a mulher (sādhikā, suvasinī, dūtī, dombī ou nairātma), assumindo a postura dinâmica, senta-se sobre o homem (sādhaka) que permanece passivo como um espectador do ato em curso, para a geração das vibrações ou poderes relacionados com a mística da criação.

[2] A maioria dos textos populares que versam sobre a kuṇḍalinī enfatizam que ela é um poder, uma energia, uma vibrante ondulação de poder ou um poder interior que foi posto em movimento. Essas descrições ou interpretações passam a idéia de que a kuṇḍalinī é um poder que reside em nós em estado latente. Algo que possuímos como p.e. a expressão: tenho um corpo, uma mente. Entretanto, o que denominamos como kuṇḍalinī é, de fato, um aspecto de nosso próprio Eu interior, e não algo que o Eu, o Ser, tenha ou possui.

Embora a experiência do Ser seja de natureza inefável e incognoscível, ele é uma imagem do Absoluto e como tal também admite dois aspectos: o estático e o dinâmico. No Tantra, o aspecto estático é Śiva – Prakāśa –, a consciência transcendente que está além do espaço e do tempo. O aspecto dinâmico é śakti-ciḍrūpīnī, vimarśa-śakti ou kuṇḍalinī, o aspecto imanente que, embora seja dinâmico, se restringiu e se limitou a um espaço restrito de consciência, denominado estado de vigília (jāgrat avasthā). Por esta razão, muitos autores a denominam equivocadamente como princípio estático da consciência, afirmando que ela deve ser colocada em movimento, quando na realidade ela somente deve ser expandida pelo suṣumnānāḍī em direção aos portais (cakra) que nos levam à Luz Infinita dos espaços conscienciais superiores.

A identificação entre a kuṇḍalinī e o Ser pode ser intuida ao lembrarmos que nas tradições Kaula e Trika somente o Eu é Real, tudo o mais são percepções fenomenológicas e ilusórias de sua atividade ou manifestação. Portanto, o aspecto dinâmico ou vimarśa é de fato a kuṇḍalinī, pois caso contrário Ela também seria um fenômeno ilusório e emergente da cognição, e sua elevação uma quimera.

A principal sensação de quem passa pela experiência da kuṇḍalinī é a de ascensão através de um túnel de intensa luminosidade que nos leva do espaço de consciência de vigília ao espaço de consciência do divino (turīya). Portanto, a sensação do poder serpentino ascendente é o próprio Ser em movimento, deixando para trás a esfera vivencial da mente instintiva e condicionada (manas), para ir à direção da esfera irrestrita onde a Luz é eterna (buddhi). Assim, a kuṇḍalinī não é algo que nos pertence, mas sim aquilo que realmente somos em nossa mais íntima quintessência: um poder infinito e eterno.

Ao expandirmos a kuṇḍalinī estamos nos libertando das limitações impostas pela manifestação, para agir e ascender à sua origem como uma grande experiência, denominada apropriadamente como līlā pelos sábios videntes (ṛṣīs) do passado, cujo significado é uma brincadeira ou diversão, no sentido de que a experiência da manifestação cósmica deve ser entendida e vivida como uma grande diversão em que somos co-criadores nos universos das vibrações e formas.

Dessa maneira, o objetivo do sādhanā tântrico ou Kuṇḍalinīyoga é elevar o nosso Ser à sua máxima expressão; assim o sādhaka vivencia a vida no universo das formas com a maestria que lhe permite participar da criação.

[3] Um aspecto mal compreendido do Śaktismo é a sua estreita associação com o Tantrismo – um conceito ambíguo, carregado de preconceitos que sugerem cultos obscuros nos templos ortodoxos do sul da Índia, magia negra e práticas ocultas no norte de Índia, inclusive sexo ritual no Ocidente. Na verdade, nem todas as formas de Śaktismo são de natureza tântrica, assim como nem todas as formas de Tantra são de natureza Śākta. Quando o termo Tantra é usado em relação ao verdadeiro Śaktismo hindu, que na maioria das vezes refere-se a uma classe de manuais sobre rituais, e – mais amplamente – a uma metodologia esotérica centrada no culto a Devī que envolve disciplina espiritual (sādhanā), mantra, yantra, mudrā e nyāsa, práticas que exigem a orientação de um guru qualificado após devida iniciação (dīkṣā) e de instrução oral para complementar e elucidar as diversas fontes escritas.

[4] Tantra é uma palavra sânscrita que possui inúmeros significados. Ela pode denotar uma urdidura ou trama de um tecido, a parte principal de um sistema filosófico, a origem de uma tradição, ordem (vidhi), regulação (niyama), escritura (śāstra), doutrina, regra, teoria ou tratado científico. Em princípio, qualquer tratado secular pode ser denominado como um Tantra, embora nem sempre seja tântrico na acepção da palavra. Sob o aspecto etimológico e de acordo com a tradição espiritual da Índia, o termo tantra é tradicionalmente derivado da raiz verbal sânscrita √tan, com a adição do sufixo de instrumentalidade tra, significando assim aquilo que estende, expande ou engrandece. Outra denominação dada ao termo fora expressada pelos sábios Vācaspati Miśra, Ānandagiri e Govinsdānanda, os quais consideraram a raiz verbal √tatri ou tantri como o sentido de origem de conhecimento. Portanto, Tantra é aquilo que expande ou engrandece o conhecimento pela vivência do espiritual e pela maestria na arte do ritual e da magia.

[5] Tradições tântricas que correspondem a 1% da população e são constituídas por um grande conjunto de tradições localizadas principalmente na intercessão das tradições Śaivas e Śāktas, embora haja também tradições tântricas de origem Vaiṣṇava.

[6] Śakti é um importante princípio, é o pilar central da tradição tântrica, uma senda espiritual que compreende a adoração das Deusas através de magníficos rituais e profundas meditações. O Tantra nos oferece um meio direto de acessar sua presença e portanto seus poderes através de uma tradição que nunca perdeu as conexões com sua graça.








 Texto de Monika Von Koss, retirado do livro:  
Rubra Força: Fluxos do Poder Feminino.

Diz a sabedoria ancestral chinesa que para sermos felizes devemos fluir com o Tao, sermos como um rio em contínuo movimento e em constante mudança.

O fluir é algo que as mulheres experimentam a intervalos regulares – algumas vezes não tão regulares – quando vertem sangue durante suas regras. Curiosamente, não declinamos o verbo fluir na primeira pessoa. Dizemos que nosso sangue flui, mas soa estranho afirmar “Eu fluo”! Como então expressar essa experiência das mulheres? Quando entro em contato profundo com a menstruação, sou eu quem flui, torno-me fluida, torno-me o fluxo, e levo tudo comigo neste fluir. Posso experimentá-lo como uma cachoeira ou um regato que me purifica, renova, revigora. Ou posso vivê-lo como uma avalanche, uma enxurrada, algo que leva consigo tudo que encontra pelo caminho.

Qualquer que seja o modo como experimentamos nosso sangrar, quando o sangue flui abre-se um canal energético de comunicação com o mundo profundo. É um caminho que as mulheres percorrem regularmente, tornando-as mais sintonizadas com os eventos inconscientes, desde que não estejam conectadas com o medo que vem associado com este caminho , medo oriundo não do fluir em si, mas das conseqüências que este fluir pode trazer  e trouxe, ao longo do processo de patriarcalização, com o submentimento da percepção intuitiva a um saber puramente racional, um poder que prioriza a luz acima da escuridão, que prioriza o claro acima do escuro, que prioriza o linear acima o cíclico.


O que caracteriza o sangrar da mulher é sua ciclicidade. Um conjunto de eventos fisiológicos que iniciam e terminam em um mesmo acontecimento: o fluxo sangüíneo, a menstruação retorna regularmente, como as estações. Nessa sua regularidade, ela está associada como o primeiro contar do tempo, seja o tempo da coleta e da caça, seja o tempo da semeadoura e da colheita, seja o tempo da procriação e da gestação. E assim como o tempo, está também intimamente conectada com a lua, a cujo movimento cíclico respondem os oceanos, o ritmo cardíaco e o próprio pulsar da vida, em seu movimento de expansão e contração.


Como a trajetória da lua, o ciclo da mulher é um movimento contínuo que, em dado momento, interioriza-se, oculta-se, e em outro manifesta-se, explicita-se. A fecundidade feminina atinge seu pico no momento da ovulação, quando, oculto no interior do corpo da mulher, o óvulo deixa seu casulo e inicia sua jornada para a vida. Sob determinadas circunstâncias, ele se acomoda na parede uterina e se desenvolve pelo período de nove luas, para surgir como um novo ser. Ou então ele se desprende ainda no mesmo ciclo lunar e escorre junto com o fluxo menstrual.


Seja no parto, seja na menstruação, é no momento da passagem quando deixa o interior do corpo da mulher e se manifesta no mundo exterior, que o poder contido no fluxo sangüíneo lança a mulher numa condição liminar, em que vida e morte, consciente e inconsciente se tocam. Nesses momentos, o véu que separa os mundos é muito tênue, muito sutil, possibilitando sua transposição. Por essa razão, as xamãs precipitam sua menstruação antes de iniciar um trabalho poderoso. Pela mesma razão, as profetas e sibilas da Antiguidade Clássica eram jovens mulheres menstruando. As mulheres exerciam essa disciplina biomística que tinha por objetivo canalizar e direcionar o real poder do universo, “pois ele emana dos nossos próprios corpos e processos psíquicos.” (...)

O período menstrual é o momento em que podemos aprender mais a nosso respeito e curar nossas feridas. Assim reverenciada, a arte de menstruar pode ser recuperada, possibilitando uma vida mais plena e feliz como mulher.
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15/01 - Círculo Sagrado de Visões Femininas

23/01 - I Oficina de Meditação Kaula Yoga

06/03 - Sahajôli - o Despertar da Feminilidade

15/03 - Círculo Sagrado de Visões Femininas

20/03 - Retiro de Yoga em Ibitipoca (Solstício de Outono)

27/03 - Curso Holístico para Gestantes presencial

14/04 - Círculo Sagrado de Visões Femininas

24/04 - II Oficina de Meditação Kaula Yoga

14/05 -  Círculo Sagrado de Visões Femininas

22/05 - Workshop Yogini Shakti

12/06 - Círculo Sagrado de Visões Femininas

Informações: 
malika_yoga@hotmail.com
(32) 8454-2337










Através do rosto refletimos o nosso estado de saúde tanto no campo material quanto espiritual. A massagem ayurvédica quando aplicada no rosto, orelhas, couro cabeludo e pescoço, vai reativar uma série de pontos energéticos que atuam nos órgãos do corpo, denominados de pontos marma. Esteticamente é fonte de rejuvenescimento da pele e eliminação de células mortas e toxinas. Pessoas que experienciam um tratamento ayurvédico facial, normalmente, mostram-se mais expressivas, mais suaves e mais bonitas, fato que é devido à eliminação da tensão expressada de diversas formas.

De acordo com a Suśrutasaṁhitā existem 107 marmas no corpo humano. Os marmas referem-se às firmes uniões e pontos de encontro dos cinco princípios orgânicos: músculos (mansa), vasos (śira), ligamentos (snāyu), ossos (aṣti) e articulações (saṅdhi). Essas uniões constituem o assento da força vital ou prāṇa. A ativação deste pontos dá nova vivacidade para a pessoa.

A massagem ayurvédica facial nesses pontos, em geral, nutre os dhatus, proporcionando uma ajuda específica para eles e, portanto, para todo o organismo.


Os marmas possuem neste sistema um importante papel na absorção da energia e, portanto, do campo psicossomático do receptor da massagem. Às vezes, durante uma sessão de massagem dos marmas, eliminam-se os bloqueios de energia e o paciente experimenta trocas emocionais, como alegria, aflição e alivio.


A massagem dura entre 30 e 40 minutos e é realizada com óleos vegetais herborizados específicos, especialmente escolhidos de acordo com a constituição da pessoa – vāta, pitta, kapha, pós aromáticos e medicinais e cremes naturais com ervas. O efeito final é reconfortante e relaxante. A pessoa sente-se nova e cheia de energia vital.


Normalmente, pessoas que tem como doṣa predominante o tipo vāta, têm a pele seca, áspera e, ou, rachada, então o trabalho é voltado para resolver este problema. Pessoas que tem como doṣa predominante o pitta, normalmente têm pele com verrugas ou sardas, acne, suave, morna, mais facilmente irritável, então o trabalho é voltado para este ponto. Pessoas que tem como doṣa predominante o kapha, normalmente têm pele suave mas muito oleosa, úmida e fria, então o trabalho é voltado para estes pontos.


Assim, podemos concluir que o resultado final, independente do doṣa predominante, é tornar a pele, sedosa, lustrosa, normalizar a temperatura e principalmente expressar saúde e relaxamento.


Esse tipo de massagem é indicado para qualquer tipo de pessoa, inclusive para as do sexo masculino. Todos estamos sujeitos a sofrer cargas emocionais na nossa vida cotidiana que levam a nossa pele a estados de envelhecimento precoce. A massagem ayurvédica facial é um dos tratamentos a nível da estética facial dos mais poderosos, no entanto não é apenas uma técnica voltada para a estética, pois visa, principalmente, a saúde e o relaxamento do corpo.


Estudos demonstram que o nosso corpo recebe toxinas que ali se alojam. A massagem ayurvédica facial é muito eficaz na eliminação dessas toxinas suavizando a nossa aparência. Atua também como terapia para minimizar as expressões acentuadas que temos na testa, resultado de tensões e, ou, preocupações, tristeza. É indicada também contra as manchas, sinusites, etc.


A massagem ayurvédica facial é um trabalho simples, indolor, extremamente relaxante e de longo alcance.


Por ser uma técnica totalmente aplicada do tórax para a cabeça torna-se muito apreciada para o auxilio também de estudantes crianças e adolescentes que estão atravessando um período de stress, principalmente, quando existe a dificuldade da aprendizagem.

Benefícios gerais:


. rejuvenescimento
. realça nutritivamente, limpando os tecidos
. reserva bom tom e elasticidade de toda a pele que ajuda a manter os contornos jovens
. tem ação de fundir a tensão facial e stress corporal, alisando as dobras (rugas) do rosto, trazendo suavidade de expressão
. redireciona as energias sutis
. nutre profundamente e fortalece todo o corpo
. desenvolve a beleza interna

 

Massageando os pontos marmas:


. aumenta a circulação do cérebro
. melhora o alerta
. aumenta o apetite sexual
. melhora o tônus dos músculos
. abre os sinus nasais
. devolve o fulgor róseo saudável à face
. alivia a congestão que forma bolsas sob os olhos
. libera a energia ocular
. alivia dores de cabeça
. aumenta o poder de concentração
. efeito desintoxicante no fígado


Através da massagem nas orelhas:


. estimula-se o sistema nervoso central
. trabalha a energia do intestino grosso e delgado
. estimula o cérebro
. abaixa a pressão sanguínea elevada
 
Na cabeça atinge pontos que irão:


. aliviar a tensão da garganta
. facilita a correção das deformações na espinha superior
. melhora a claridade, a habilidade mental de concentrar
. ajuda a equilibrar e regular os órgãos sensoriais e motores
. regula a liberação do serotonina no fluxo sanguíneo que dá o sentido de prazer e da satisfação
. aumenta o fluxo do líquido cerebral-espinhal
. ajuda no alívio da insônia
. fortalece o fígado e a capacidade digestiva ajudando a normalizar o peso
. alivia ruído nos ouvidos e facilita a eliminar congestão do ouvido médio
. relaxa o corpo inteiro através dos reflexos da espinha
. estimula a glândula tireóide que gera o fluxo da energia fresca para todo o corpo

Marque sua massagem:

(32) 8454-2337 / 9112-3590 
ou através do email: 
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Mulher, mãe, esposa, filha...Professora de Yoga, Meditação, Terapeuta Ayurveda, Educadora Perinatal, Eco-feminista e focalizadora de Círculos de Mulheres que cultuam e reverenciam o Sagrado Feminino. Professora de Sociologia e Filosofia, formada pela UFJF, com especialização em Ciências Humanas.

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