Texto extraído do livro : "YOGINI - Revelando a Deusa interior" , de Shambavi Lorain Chopra


Aham prema.
(Eu sou o Amor Divino)

No Bhavani Nama Sahasra (Mil Nomes da Deusa Bhavani), o pundit Jankinath Kaul explicou de forma bela o que seria uma yogini: “Yogini é quem possui poderes mágicos”. Shakti, o poder supremo, em sua forma de Durga, recebe o nome de “yogini”: Ela assume várias formas e diversas energias Divinas para manter a harmonia no Universo, para combater o mal e dar suporte ao bem. A mulher que obtém um estado transcedental em seu sadhana retorna como uma yogini celestial, ou Bhairavi, uma adepta feminina do yoga. Ela carrega em si a energia de Durga.

A verdadeira yogini é a mulher iluminada dotada de uma paixão exuberante, poderes espirituais e uma visão interior profunda. As yoginis transmitem um sentido de liberdade e pura maestria em tudo o que fazem. Com seus olhares poderosos, são capazes de hipnotizar até mesmo um grande yogue e são ainda capazes de mudar a sua forma à vontade. Os eruditos tântricos descreveram as yoginis como mulheres independentes, francas, diretas, honestas e dotadas de um espírito gracioso. Sem elas, o yoga pode falhar em seu objetivo e permanecer estéril.

Os textos shaktas oferecem honras tanto às mulheres como à Terra, pois descrevem ambas como fontes de energia, vitalidade, bem-estar físico e espiritual. Ao observar esta analogia entre uma yogini e a Terra, o Chakrasamvara – comentário tibetano do século XI – afirma que: “Ao reconhecer uma yogini que o deleitará e lhe transmitirá energia e poder, e sentindo-se apaixonadamente atraído por ela, se o aspirante não adorar essa yogini, ela não o abençoará e não surgirão as realizações espirituais”. O livro Passionate Enlightenment, de Miranda Shaw, que recebi de Lokesh Chandraji, foi o primeiro que expôs o mundo da yogini do ponto de vista budista.

Segundo o pensamento hindu, a yogini representa o próprio yoga shakti, a kundalini, bem como os poderes que residem nas deidades femininas dos diferentes chakras. A yogini traz em si o poder do yoga e pode despertá-lo nos demais, não apenas em geral, mas em qualquer ponto ou local do corpo ou da mente. A habilidade de um homem de atingir estágios superiores de yoga pode ser facilitada por sua associação com uma companheira que reflita essa energia.




Assim como uma deusa abençoa e beneficia seus devotos, e a shakti vivifica suas práticas biológicas, culturais e religiosas, a mulher pode canalizar esta força vital ou energia espiritual para seu consorte-devoto. A mulher não fica mais exaurida quando fornece nutrição espiritual do que uma mãe ao nutrir sua criança. De fato, isso faz com que energias mais profundas se manifestem dentro dela.


Esta energia espiritual não é algo que um homem possa extrair ou tomar de uma yogini à vontade. Ela escolhe quando e a quem conceder suas bênçãos. A habilidade da yogini de intensificar o desenvolvimento espiritual de um homem depende de que sua divindade inata esteja desperta e manifeste seus frutos por meio de suas próprias práticas de yoga, que incluem visualizar a si mesma nas várias formas das deusas e investir-se com suas aparências e ornamentos, expressões de ternura e ira e dos poderes sobrenaturais que permite libertar os seres. Ao conferir energia e graça a um homem – abençoando-o ou dando-lhe poder – ela não enfraquece, mas, pelo contrário, compartilha sua energia voluntariamente com alguém que ganhou seu favor, por satisfazer as várias exigências que ela impõe.


Tal relacionamento ocorre em paralelo aos relacionamentos humano-Divino no que se refere ao fato de que a deidade é a benfeitora e o devoto-humano, o beneficiário. Ainda que a deidade possa derivar alguma gratificação do relacionamento, o devoto tem muito mais a ganhar do que o objeto soberano de sua devoção. O que os suplicantes, em última análise desejam de sua deidade é o resgate ou a liberação total, e é isso que os homens tântricos devem procurar obter de seus relacionamentos com mulheres espiritualizadas. Os textos tântricos reiteram que o homem não pode ganhar a iluminação sem respeitar a mulher e se aliar internamente a ela. A beneficência de uma mulher é uma resposta graciosa e ainda voluntária à súplica, homenagem e adoração de seu devoto.


A deusa é uma grande yogini, devotada a Shiva e, contudo, equipara Seus poderes. Ela é a incorporação da pura energia, a mãe e uma matriz para todas as manifestações, a fonte de todo o tempo, espaço e criação. Enquanto praticavam yoga juntos, shakti aceitou Shiva como seu guru, e Ele ensinou-lhe os modos de ser transcendental para orientá-la em sua liberação final. Shiva, por sua vez, também aceitou shakti como Seu guru, e ela O iniciou em sua liberação final e O pôs em contato com o supremo poder da consciência.


A Deusa Chhinnamasta, a deidade que decepa sua própria cabeça simboliza a grande yogini, a maravilhosa consciência situada além da mente. Ela representa a abertura do terceiro olho de onde surge o raio da percepção direta que destrói toda dualidade e negatividade. Ela é a yoga-shakti ou o poder do yoga em sua ação mais radical de conceder a iluminação. por isso, ela é também conhecida como Vajra Yogini. Este vajra é a força iluminadora suprema do ser interior.

Chhinnamasta é a Para Dakini, a suprema e principal das dakinis, a deusa do caminho do yoga, e as yoginis manifestas como os poderes dos chakras. Os sadhakas que buscam trilhar o caminho dos poderes yogues ocultos deveriam adorá-la, como é reiterado por David Frawley em seu livro Tantric Yoga and the Wisdom Goddesses, que a invoca por meio do mantra baseado em seu nome Vajra Vairochani. Isso facilita todas as transformaçãoes interiores de modo radical.

A yogini também é Bhairavi, ou a Deusa do Fogo, situada no muladhara ou chakra raiz. É ela quem se converte em Chhinnamasta quando atinge o terceiro olho e abre o chakra coronário para o além. Seu sangue é a luz que ilumina a tudo.

Maria Madalena era uma dessas yoginis, que manifestava seu shakti por meio do fluxo de luz de seu coração e alma. Seu amor Divino era incondicional e independia das situações externas e dos dogmas. Contudo, o amor divino não se limita ao asceta. Em minha compreensão do Tantra, se dois seres evoluídos espiritualmente se unem em amor incondicional, também podem criar um campo de energia muito positivo e raro, que exsuda altos níveis vibracionais de paz e amor para o Universo.

As culturas antigas – Egito, Grécia, Tibet, Índia – contam com tradições esotéricas que glorificam o poder iniciatório da mulher. Ela é considerada a sacerdotisa suprema, que manifesta para nós todos o conhecimento e os poderes superiores. Ela é Sofia, a origem e a fonte da sabedoria ou prajna, o discernimento mais profundo da natureza de tudo. Os ensinamentos tântricos enfatizam a importância da beleza física no companheiro ou na companheira, mas apenas para estimular inicialmente e então elevar a paixão do plano sensual para o plano espiritual. A beleza da alma ultrapassa a beleza física.

O poder “iniciatório” da mulher causa espanto, pois provê a força da paixão necessária para desenvolver o misticismo experimental. Ao compartir os segredos do amor, a mulher pode conceder poder transcendental a seu amante. A maior forma de Shakti é a liberação da expressão direta da energia-sabedoria, que cria uma transformação jubilosa. A mulher pode iniciar seu parceiro em tais experiências místicas por meio da confiança, rendição a ideais superiores e espontaneidade. Quem inicia é a deusa interior de cada mulher.

Ser uma yogini é a meta espiritual mais elevada de todas as mulheres. É o meio de se tornar uma com a deusa interior e manifestá-la na expressão que eleva o mundo que é de fato criação sua. Contudo, não se trata de uma aparência externa, mas de um estado de energia externa, mas de um estado de energia e êxtase internos que converte a mulher em uma yogini. Ela não pode ser manipulada, definida nem sequer inteiramente conhecida.

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